domingo, 10 de janeiro de 2010

Fragmento - A voz de um leão

- Acordai, bela moça cujos cabelos são medusas a esses olhos que vasculham, calejados, as entradas de vossas elétricas ribeiras. Vede como o sol brilha a vossa espera e desenha sombras no borbado difuso de vosso destino. Vede.
- Como sombras que se dissipam, o que é claro se transforma em turvo e minha visão, embaçada em fosco veneno, confunde vosso olho, senhor, que fala-me e penetra-me as entranhas como punhais que anseiam o meu sangue, gota a gota, como por necessidade dessa épica ânsia que vos consome em rajadas de som e fúria.
- Não ouseis vós pensar que minha sede do vosso corpo vos retira o sopro imaculado da pureza pela qual foi concebida a vossa alma, pois sois vós um lírio do qual as pétalas me banho em noites de murmúrio, mas percebei vós que é dessa sede a razão pela qual roubo vosso sonho como um ladrão de pensamentos para que esteja cravejado tão quieto no silêncio do vosso sono.
- Sabeis que não é correta ,a quietude, sabeis! Negais a verdade pois tendes medo de descobrir que o verdadeiro amor se esconde nas entrelinhas da loucura. Tendes medo de que o amor tome o lugar da espada e a guerra mude seus rumos. Tendes medo de que o mundo saia dos trilhos e vosso coração crie um novo modo para que giremos desconexos à qualquer eixo.
- Verdades ásperas saem de vossos doces lábios e dilaceram-me com intensidade mesmo maior que minha mais feroz batalha e disso bem sabeis. Entendei vós que é na quietude de nossas almas que o mais nobre veneno se dissipa na terra fértil para que dele nasçam resquícios de um amor o qual devemos regar com água límpida e silêncio. Esta coisa, o amor, necessita de calma, motivo pelo qual é cultivado sempre em meio aos campos onde a relva não molesta o fruto em sua raíz.
- Não pode haver calma no coração de um leão. Os espaços vazios serão preenchidos com luz e som e cor... olhai o céu. Levantai. Percebei como brilha, o sol. Há inquietude mesmo em sistemas que obedecem à órbita, e vós sois livre, então vos inquietai para o amor que, em um sopro de vida, penetra em tuas narinas como que desperta o desmoronar de pedras inertes para que fluam como o rio que passa por debaixo do carvalho ancião.
- Beijai minha boca sedenta para que o medo em meu coração aumente, portanto, de modo a abalar a inércia de minha quietude. Mostrai-me o frenesí de vossa alma selvagem.
- Fechai vossos olhos reticentes. Senti o ácido percorrer vossos poros.
- Queima-me as veias, vosso ácido. Como que...
- Calai-vós.
- Como que...
- Sabeis.
- Amor de leão.
- Vossa alma ruge [...]

3 comentários:

  1. "Entendei vós que é na quietude de nossas almas que o mais nobre veneno se dissipa na terra fértil para que dele nasçam resquícios de um amor o qual devemos regar com água límpida e silêncio."

    wooooowww!
    muuuuuito boom :D

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  2. Desvendando um coraçao leonino né!
    "... Negais a verdade pois tendes medo de descobrir que o verdadeiro amor se esconde nas entrelinhas da loucura.Tendes medo de que o amor tome o lugar da espada e a guerra mude seus rumos..."

    Você sempre me surpreendendo!!! Ameii *-*
    E te amuu muitoo...

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  3. Escreve logo um livro Morais,
    tu é PHODA
    ta lindoo, muito mesmo!

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