segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

É amor, esse barulho infernal

Atenção a tuas vírgulas; não seria de bom grando que existisse qualquer sargaço emaranhado à tua interpretação. E revise, um por um, os teus advérbios. Não seria produtivo que algum équivoco tomasse lugar à ocorrência de tamanho modo e intensidade: vagarosamente, poeticamente minha língua em teu pescoço, investigando o oriçar dos teus pelos como reação automática ao toque quente da minha saliva. Dispa-te com abstração, para que o teu gosto seja concreto. Gosto de terra. Gosto de pó. O que torna interessante esse amor poético é a anarquia com que as palavras se rebelam contra o peso que trazem os termos, profundamente dramáticos e enfadonhos. Amor e poesia são almas livres da natureza. Voam sem pedir permissão e pouco se importam caso desabriguem e destronem da imponência maestral o que é dito como sensato e moral. Amor é desarranjo. Violino estraçalhado pela ímpeto da fúria. Equilibra-se ao convívio das boas maneiras e exatidões plenas, dos números. Números: coisa imprecisa. Você não entende. Me olha com essa cara boba dizendo que as sinapses desligam à medida que o sono vem. Olha pra mim antes que as tuas pálpebras fechem, antes que a luz do sono interfira na tua tênue lucidez. Tu és como uma criança cheia de volúpia, mas que pede silêncio quando é hora de dormir. Mas antes que teu mundo encontre o horizonte de morfeu, escute: é amor, esse barulho infernal. E não há recanto nos sonhos, não. Amor é coisa surreal e está para fora na mesma proporção que está para dentro. Fluxo contínuo. Não balbucie. Não Fuja. Crianças não devem temer.

3 comentários:

  1. Até ouvi o som do violino! Adoreeeeeei

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  2. E eu, EU fujo e fujo =x
    Mas continuo a ouvir o barulho
    Ah Morais,
    lindo, lindo texto
    :D

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  3. Parabéns cara, você escreve muito bem, gostei do texto, achei bacana a forma de como lhe dou com o amor.

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