domingo, 11 de julho de 2010

Breve descrição d´uma fome incontrolável

Anseio descrever-te os efeitos que me causas, jovem donzela, com intangibilidade tal de um amor trovadoresco. Ao ver teu corpo, quase que padeço em fome. Sinto-me reprimir os lábios em ação involuntária à doce visão que toma-me os olhos. Atiça-me as narinas, o perfume que oriunda de tua pele. Lembrar de tua anatomia faz-me enrigecer cada um dos músculos, impondo-me ofegante respiração. Minhas mãos, pálidas e desconexas, tremem ao prever o toque em teu dorso e percorrer tua forma esguia. Retraio-me os olhos como quem foge de um plano e, desesperadamente, anseia por encontrar um outro. Encontro-te, portanto, nua, mas apenas em minha mente. Tu me olhas fixamente, esperando que eu entenda cada um dos teus desejos. Desejos que habitam entre o mudo e o eloquente. Escolho pela mudez ao encostar minha mão em teu sexo, quando falha-me a voz, e logo em seguinte pela eloquência, quando utiliso-me da língua para descobrir toda a literatura camuflada em tão bela anatomia. Prazer maior não há que saciar-me as agonias do corpo diretamente da fonte onde nascem. Teus seios me são frutas silvestres propensos a alimentar-me a boca. E à medida que acalmam-se as ondas de minha maré, imediatamente preparo-me para que de ti eu padeça, mais uma vez, numa fome tão incontrolável que nem mesmos as grades do pensamento serão capazes de conter.

2 comentários:

  1. "Sou a tentação rara na qual você não tem coragem de se render." lalalaa

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  2. Difícil escolher as palavras e o jeito certo de narrar o desejo, o sexo. Por vezes pode parecer vulgar.
    Seu texto não. Ficou doce. Parabéns! Muito bom!

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